O projeto propõe a adaptação funcional de um edifício para habitação de uma comunidade religiosa, fundamentando a sua solução na introversão espacial e na rigidez programática. A arquitetura organiza-se em torno de uma reinterpretação do conceito de claustro — sem a clausura canónica rigorosa, mas focada na vida fraterna e na oração. Através de dois pátios interiores que regulam a iluminação e ventilação, o edifício "volta-se para dentro", limitando as aberturas para a via pública ao estritamente necessário.
A organização interna é seccionada em três áreas distintas que garantem a gestão de fluxos: uma zona de serviços e convívio (social e logística); uma zona íntima (composta por cinco suites de uso exclusivo das irmãs); e uma zona semi-pública (destinada ao intercâmbio com a comunidade, incluindo o oratório e uma sala de atividades com acesso direto pelo Beco da Rua do Saco, que funciona também como saída de emergência). O espaço exterior é valorizado por um jardim de meditação em torno de um poço existente e uma horta para consumo interno, promovendo o equilíbrio entre o esforço físico e a espiritualidade.
No contexto da reabilitação urbana do Centro Histórico de Loulé, a proposta adota uma estratégia de coexistência patrimonial. Em resposta às diretrizes da Direção Regional de Cultura do Algarve e do Gabinete de Reabilitação Urbana, optou-se por manter a fachada pré-existente. O novo volume retrai-se face a este plano antigo, criando um paramento que se alinha com a cércea do edifício contíguo. Esta envolvente ganha força formal no alçado poente, onde se desenvolve um elemento vertical que culmina numa cruz em negativo. Este rasgo simbólico, visível do interior do oratório, orienta a vista para o céu, consolidando o caráter sagrado do edifício e delimitando de forma clara o espaço exclusivo das suas utilizadoras.





